
O que ando fazendo
Embora não esteja postando por aqui com tanta frequência, ando (sim) fazendo uma ou outra coisa. É que as demandas são tantas (gestação, filha, trabalho, casamento, livros, blogs) que nem sempre dou conta de tudo.
Ando também um tanto desorganizada (a foto fala por si) no que diz respeito aos trabalhos manuais. Só há bem pouco tempo é que consegui arrumar um armário só para meus materiais.
Assim, o que tem me movido mais são mesmo os trabalhos em papel, por sua praticidade e, como não, efemeridade: as paper dolls (logo posto fotos de mais), uns quadros e uma ou outra coisa.
o que ando vendo
Uma dica bacana, para as apaixonadas por tecido, é o site
Spoonflower. Você cria sua própria estampa, posta no site e, se quiser, pode solicitar que ela seja passada para tecido (algodão de alta qualidade, segundo
quem experimentou).
E por falar em papel, ando apaixonada pelo trabalho dessa
ilustradora. Suas personagens são encantadoras e seu blog, Greenbeanbaby Art, é uma delícia.
E para as fãs de bordado (entre outras coisas), esse blog, o
Historically Inacurate, é apaixonante (espia só, Bel!)
E para terminar, um poema de
Adélia Prado e uma fotografia de Ricardo (que me recordam que, quase sempre eu quero ser singela também, coisa nem sempre possível):
No Meio da Noite
Acordei meu bem pra lhe contar meu sonho:
sem apoio de mesa ou jarro eram as buganvílias brancas destacadas de um escuro.
Não fosforesciam, nem cheiravam, nem eram alvas.
Eram brancas no ramo, brancas de leite grosso.
No quarto escuro, a única visível coisa, o próprio ato de ver.
Como se sente o gosto da comida eu senti o que falavam:
"A ressurreição já está sendo urdida, os tubérculos da alegria estão inchando úmidos, vão brotar sinos”.
Doía como um prazer
Vendo que eu não mentia ele falou:as mulheres são complicadas.
Homem é tão singelo.Eu sou singelo. Fica singela também.
Respondi que queria ser singela e na mesma hora,singela, singela, comecei a repetir singela
A palavra destacou-se novíssima como as buganvílias do sonho.
Me atropelou.
— O que que foi? — ele disse.
— As buganvílias...
Como nenhum de nós podia ir mais além,
solucei alto e fui chorando, chorando,até ficar singela e dormir de novo.